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Bloco “Os Cãos” mantém tradição do Carnaval da Redinha.

O “Cão” chupando manga.

Rei Momo e Rainha do carnaval 2018.

Redação/Portal de notícias e fotojornalismo Natal/eliasjornalista.com

O bloco carnavalesco “Os Cãos” reúne centenas de foliões em mangue da Redinha.  Uma tradição que já dura mais de 50 anos se repetiu na manhã desta terça-feira (13) no carnaval multicultural de Natal. Cobertos de lama, os integrantes do bloco Os Cão desfilaram pelas ruas da praia da Redinha, na zona Norte da capital potiguar. Os foliões invadem as ruas do Bairro com a fantasia livre que é a lama retirada do manguezal e se consolida como uma opção para quem deseja se divertir sem gastar nenhum dinheiro, já que o acesso e todo o deslocamento acontece acompanhado por uma orquestra de frevo e grupos de diversos seguimentos musicais como o funk e o samba.

BLOCO OS CÃOS 

O bloco mais original e tradicional da Redinha nasceu da imaginação criativa de alguns de seus moradores. Numa manhã de carnaval, no distante ano de 1962, Francisco Ribamar de Brito (Dodô) e seu irmão, Armando Ferreira de Brito (o Gago), estavam com Francisco Clemente da Silva (o Chico Baé), Francisco Valdécio (Chico do Cabo) e Djalma de Andrade (Uá) quando seguiram todos para casa de José Gabriel de Góes (Zé Lambreta).

De lá, foram para o Rio Doce, chamado na época de Porto D’água, “para procurar pitu nos buracos da beira do rio”, explicou Dodô, hoje com 72 anos de idade. O intuito era assar os camarões ali mesmo, em uma pequena fogueira improvisada, para tirar o gosto da cachaça Olho D’água, que levaram para tomar em quengas de coco.

Entre um gole e outro, ao sabor do camarão assado, Chico Baé pegou um punhado de lama e passou sobre o cabelo. “Ele fez para o cabelo dele ficar estirado”, brinca Dodô. Vendo a “presepada”, Zé Lambreta teve a ideia: “Vamos se melar todinho e sair assustando o povo!”.

Na certa, Zé Lambreta não imaginaria que sua irreverência espontânea um dia, mereceria destaque em plena Sapucaí, no carnaval do Rio de Janeiro de 1998, no enredo da escola de samba Salgueiro, que homenageava os 450 anos de Natal.

Dodô conta em detalhes que Chico Baé colocou ainda dois “charutos do mangue” (sementes do mangue) na cabeça e um “rabo de salsa” atrás (uma espécie de capim de beira de rio). “Aí eu disse: ‘Tais todinho um cão’”, afirmou Dodô, dando origem ao nome do bloco.

Para incrementar a brincadeira, cada um desfilou pelas ruas da Redinha batendo em latas de goiabada, cantando: “Ainda tem cão dentro / ainda tem cão / rela rita / rita rela / ainda tem cão dentro dela”. “Já tínhamos criado todo tipo de fantasia; num tinha mais o que inventar não”, comenta Dodô, morador há mais de 60 anos da Redinha, sempre na rua José Herôncio de Melo, ainda sob a origem do bloco.

Os sete discípulos carnavalescos do “coisa ruim” pretendiam encerrar seu desfile inusitado no Mercado Público, no barraco de Dalila Januário. Mas o então administrador do Mercado, João Caetano de Barros, pediu para que não entrassem com medo de melar suas paredes. Dodô, então, no meio de seu relato ressaltou: “A gente não queria melar ninguém. Era só brincadeira sadia”.

Nos anos seguintes o número de “cãos” crescia, mas a ideia da “brincadeira sadia” de Dodô e seus amigos fora se perdendo com o tempo.

“No ano seguinte já eram cerca de 15 pessoas que se melavam de lama. O número de integrantes crescia todo ano. Aí deixei de brincar porque o povo só queria saber de se embriagar e melar parede. Eu já estava casado e preferi ficar em casa”, conta Dodô.

O pesquisador e folião do bloco por alguns anos, Gutenberg Costa, disse que no início, o bloco Os Cão, embora surgido de uma brincadeira sem compromisso, era organizado. “Não passávamos sujos pelas calçadas nem entrávamos no Mercado Público”.

Ele afirma que os mais antigos saíam pelas ruas carregando um saco de estopa, onde recolhiam bebidas, alimentos e até dinheiro dos veranistas que contribuíam para o carnaval daqueles nativos.

“Os veranistas já ficavam com um litro de cachaça ou algum tira-gosto do lado de fora. Quando não tinham nada, davam algum dinheiro. Infelizmente, hoje o ‘melaceiro’ que provocam está incontrolável”, lamenta o pesquisador.

Naquele primeiro dia de vida de Os Cão, os sete amigos findaram a brincadeira por volta das 11 horas, quando saíram das proximidades do Mercado em direção ao trapiche para tirar a lama. Durante a tarde, ainda iriam curtir o carnaval no bloco Os Brasinhas.

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