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Aldenôr Gomes, prateiro e designer, apresenta sua segunda coleção “É tempo de Margaridas”, que usa a prata para homenagear e unir exemplos de mulheres do sertão e do mundo. (Foto: Elisa Elsie).

Aldenôr Gomes, prateiro e designer, apresenta sua segunda coleção “É tempo de Margaridas”, que usa a prata para homenagear e unir exemplos de mulheres do sertão e do mundo. (Foto: Elisa Elsie).

Redação/Portal de notícias e fotojornalismo Natal/eliasjornalista.com

Uma coleção de peças de prata que une – por meio de colares, pingentes, anéis, brincos – a história da luta das mulheres, colocando num mesmo conjunto Margarida Alves, a sindicalista morta violentamente na Paraíba e Frida Kahlo, artista plástica que hoje é exaltada como exemplo de luta e empoderamento. Mas não só isso: é com prata também que a Marcha das Margaridas se junta à Marcha Mundial das Mulheres; e que as peças forjadas manualmente também homenageiam o erotismo e o encantamento da mulher sertaneja.

É esse universo que será apresentado na vernissage da exposição “É tempo de Margaridas”, do designer e prateiro Aldenôr Gomes, que acontece dia 6 de outubro próximo, no Espaço Duas, a partir das 19h30.

A inspiração para essa coleção de exaltação ao feminino surgiu naturalmente. Após sua primeira exposição, “Outonianas”, inspirada nas flores do sertão, Aldenôr se viu sem tema para uma segunda coleção. Na época, conversando com sua curadora, a artista visual Mariana do Vale, sobre qual tema explorar, ele recebeu um conselho e aceitou: “Não se preocupe. Você não está mais na academia, não precisa se preparar para uma tese. Vá trabalhando no que te emociona, depois você vê o que fazer com isso”, conta.

E ele apostou nisso. “Eu continuei a trabalhar e me vi fazendo flores. E as flores sempre tinham a imagem de margaridas”. E acrescenta, relembrando como decidiu o tema da segunda exposição: “Quando pensei em margaridas, logo me veio à mente a líder sindical que foi barbaramente assassinada na Paraíba. Ah, vou trabalhar com as margaridas, em homenagem a Margarida Alves”

Daí para começar a ampliar a temática, foi instantâneo. “Quando comecei a trabalhar, eu lembrei que Margarida Alves remetia à Marcha das Margaridas, promovida pelas mulheres rurais que passaram a se organizar para reivindicar seus direitos e participar da luta das mulheres no campo”.

Após isso, conta o artista, ele também começou a pensar em como a mulher do meio rural, do sertão, é sensual e possui um erotismo próprio. Dessa reflexão, já nasceram outras flores, na coleção.

E o jardim de prata de Aldenôr não parou de crescer: “Como eu achei que era muito pouco trabalhar só com as mulheres rurais do sertão da Paraíba eu passei à Marcha das Mulheres, e cheguei à Marcha Mundial das Mulheres, e isso me lembrou Frida Kahlo”, conta.

Ele explica que havia feito uma visita ao México e na elaboração da peças de prata lembrou-se da artista mexicana que hoje é símbolo da luta das mulheres no mundo. E foi dessa forma, com todas essas referências, que ele concluiu e batizou sua segunda coleção, “É tempo de Margaridas”.

Ao todo, o novo conjunto tem 30 peças, entre aneis, colares, brincos, adereços para chapéu, adereço para cachimbo, pingentes, entre outros. Os preços variam de R$ 150,00 a 600,00. Mas não basta ter dinheiro para comprá-los. “As peças estão à venda. Não faço joias, faço peças de prata que tem um significado para mim. Então sempre é algo doloroso pensar em vender. Todas as peças são únicas e exclusivas. Eu preciso criar uma empatia com a pessoa que vai comprar. Eu preciso saber com quem elas vão ficar”, brinca Aldenôr.

Para o futuro, uma terceira coleção, ele ainda não tem nada definido. Explica que precisa encerrar por completo um ciclo para poder iniciar o outro e só vai começar a pensar nessas novas peças após a exposição do dia 6 próximo.

Mas já há no imaginário do artista um apontamento do que pode vir a se tornar uma nova coleção. “Eu me encontro muito envolvido com o mundo da capoeira, a ideia da história dos negros, é possível que saia alguma coisa por aí. Mas é muito embrionário, não posso garantir”, comenta.

PRATEIRO

Aldenôr Gomes trabalha com prata desde 2014. Ele é professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte desde 2009, após mais de 40 anos de estudo sobre o meio rural.

Em 2010, ele foi convidado para ser professor visitante no programa de pós-gradução de Ciências Sociais na Universidade de Campina Grande. Em 2014, ele resolveu parar.

“Estava um pouco desencorajado de trabalhar com o rural. Eu tinha toda uma vida de estudo, de pesquisa, de formação trabalhando com o rural. Inclusive, nesse período fui gestor de políticas públicas, ajudei a implantar o programa Fome Zero no Nordeste. Desde o início dos anos 70 eu via sempre a persistência da pobreza, da miséria no campo. Isso me deu uma tristeza tão grande que eu decidi: não vou mais pesquisar o rural. Vou fazer uma outra atividade que me dê um pouco mais de prazer”

Nessa época Aldenôr relembrou os tempos de seminário, quando ainda muito jovem se destacou pela habilidade em moldar metal. “Eu fazia terços”, conta. E, nesse intento, acabou descobrindo em Recife um professor que dava curso de ourivesaria em prata. “Eu fiz o curso de quatro meses. Daí saí e comecei a trabalhar com prata”.

SERVIÇO

Exposição “É tempo de Margaridas”

O quê: vernissage de coleção composta por 30 peças em prata inspiradas em exemplos de luta, resistência e beleza de mulheres do sertão e do mundo

Onde: EspaçoDuas/Duas Estúdio – Rua Praia Diogo Lopes, 2197 – Ponta Negra (referência: próximo à praça do Disco Voador)

Quando: Dia 6 de outubro, sexta-feira, a partir das 19h30

Por que: oportunidade de ver como o artista traduziu para um universo tão particular, que é a ourivesaria em prata, as lutas, as belezas, os desejos e sonhos de mulheres que inspiram outras mulheres a tornar o mundo mais justo e belo.

Entrada gratuita 

CONTATO PARA ENTREVISTAS

Aldenôr Gomes 99992-7130 (Whatsapp)

Duas Estúdio

Elisa Elsie e Mariana do Vale

84 99982.7193 | 84 99664.8789

www.duasestudio.com

facebook.com/duasestudio

@espacoduas

 

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