
Crônica de Flávio Rezende “Escritos da Alma”: – A visão do alto liberta –
“Escritos da Alma”: – A visão do alto liberta –
Por Flávio Rezende
Nascemos dividindo berço com outros recém-chegados, numa sala qualquer, sob o olhar encantado de quem já habita este mundo. Crescemos em quartos, casas, bairros. Pertencemos a cidades, estados, países, hemisférios, continentes. E à medida que ocupamos mais espaços geográficos, nos dividimos também em espaços simbólicos: religiões, clubes, partidos, classes sociais, fronteiras visíveis e invisíveis.
Criamos preconceitos e conceitos, construímos ideias e alimentamos ilusões. Nos afundamos em avaliações, nos afligimos com decepções. Viramos especialistas em tornar a vida um jogo de disputas e narrativas: egos inflados ou murchos, decentes ou indecentes, lúcidos ou doentes, todos querendo razão, voz, palco, vingança ou redenção.
Ainda lutamos — sim, em pleno século XXI — com questões raciais, políticas, territoriais. Assistimos a guerras, desastres, desinformações, polarizações. Mas, paralelamente, também somos capazes de gerar amor, arte, solidariedade, amizade, rifas para causas nobres, acordos, abraços, pontes de compaixão.
Sou, no fim das contas, apenas um ex-jornalista metido, um escritor teimoso, fotógrafo novato e pai absolutamente apaixonado. Um desses que, vez ou outra, se arrisca a pensar algo raso. Afinal, o mundo já produziu reflexões profundas e fodásticas o suficiente pra me deixar intimidado. Sinto que, às vezes, tudo o que escrevo é só mais do mesmo — com o risco ainda de ser uma boa merda, diante de tanta coisa brilhante que já se disse por aí.
Mas arrisco, mesmo assim. Porque há uma ideia que me ressoa, e que insisto em defender:
Se a gente olhar a vida do alto, com os olhos de uma alma terráquea, muitas dessas divisões desabariam. E, com elas, boa parte dos nossos conflitos.
Se nos sentíssemos cidadãos da Terra — e não apenas brasileiros, americanos, palestinos ou israelenses — talvez a cidadania planetária se tornasse um ideal real. E ser de direita ou esquerda, Flamengo ou Fluminense, preto ou branco, rico ou pobre, seria apenas uma nuance dentro da diversidade do planeta — e não um motivo para se odiar.
É bonito ver, lá de cima, a complexidade que somos. E mais bonito ainda é aceitar essa complexidade com leveza, com gratidão, com alegria.
Esse é meu desejo.
Minha oração laica.
Meu sonho possível:
Um planeta diverso, feliz e em constante celebração.
Shanti, paz, shalom, assalamu alaikum, amém, Sai Ram, haribol, Om Mani Padme Hum.
Luzzzz. 💡💡💡


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