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Postado às 10h03 CulturaPlantão Nenhum comentário

Francisco Canindé é escritor e carteiro, formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

No decorrer da História as festas populares sempre utilizaram a simbologia para manifestar os valores e acontecimentos de cada povo ou época, bem como conceitos específicos de um dado momento político, econômico e cultural de uma sociedade. Porém, o banquete de signos no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro em 2026 trouxe para o meio das discussões sociais polêmicas tão imensas que atravessaram as fronteiras do universo da comunicação do nosso país para se tornarem notícias internacionais.

É que a Acadêmicos de Niterói resolveu homenagear a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, o Presidente da República do Brasil em pleno mandato. O fato foi um estopim para a extrema direita fazer barulho para todo lado e mobilizar as mais diversas opiniões nos quatro cantos do país, assim como também no cenário internacional. Vários jornais em diversas partes do mundo comentaram o episódio. Uns acusando o desfile de cabo eleitoral de Lula, outros censurando a maneira como seus adversários políticos estão lidando com o fato. Independente do ponto de vista de cada pessoa, a única verdade em tudo isso é a capacidade do simbolismo exercer uma influência enorme na opinião pública.

Um ocorrência tinha tudo para ser vista apenas de forma corriqueira pelo olhar do entretenimento representando de forma irreverente os acontecimentos políticos do momento acabou agitando vários setores sociais, inclusive a religião, já que muitos ficaram indignados com uma representação que a escola de samba fez retratando a família de acordo com os conceitos da extrema direita. Muitos não entenderam que a mensagem era de que o núcleo mais importante da sociedade estava sendo tratada apenas como um rótulo de embagem, mas dentro do recipiente, o conteúdo diferia do estava estampado na embagem, só existia confusão, bizarrice e agonia. E pasmem! Porque o maior motivo das desestruturacões familiares se dá na área financeira por causa das desigualdades sociais que deixam muitas famílias a mercê da pobreza e da miséria. Algo que poderia ser resolvido com uma distribuição de renda mais justa.

Porém as elites econômicas não desejam um equilíbrio na repartição das riquezas produzidas no nosdo país. Portanto, quando se parte para a defesa da estrutura familiar tudo não passa de propaganda direitista criando uma imagem daquilo que deveria realmente ser cuidado e zelado, mas os fatos estão ai para provar que essa corrente política não tem nenhuma preocupação com o assunto. O que é uma grande verdade, pois enquanto os políticos de direita brandam que são a favor da família, na hora que o Congresso Nacional recebe um projeto que favorece os lares mais carentes, o voto desses parlamentares é contra. A contradição entre o discurso e a prática é bem evidente.

Então dá para concluir que a família em conserva não é um signo referente à essa instituição na sua forma legitima tradicional com todos os seus valores respeitados, mas sim uma crítica a ideia enlatada que é vendida pelo marketing político dos setores econômicos que se opõem à reformas estruturais que verdadeiramente transformariam a situação de milhares de famílias que agonizam por causa das duras condições financeiras em que vivem. O economista e escritor Bernardo kliksberg no seu livro “Falácias e Mitos do desenvolvimento social” disse que pelo motivo de parâmetros socioeconômicos está surgindo o perfil de uma família desarticulada em aspectos importantes, instável e significamente delibilitada sem condições de cumprir com a unidade do lar. As classes dominantes não desejam abrir mão do processo de acumulação de capital para resolver essa situação. Então como podemos dar crédito a ideologia direitista defensora dos interesses das elites? A família só poderá ser o símbolo maior do desenvolvimento ético e moral do indivíduo se os seus conflitos forem resolvidos, inclusive os ordem financeira, a principal causa dos problemas familiares na atualidade.

O signo tem que ser Interpretado com o sentido que seu construtor deseja expressar e não do jeito que se quer entender segundo pretensões duvidosas como a extrema direita fez. Muitas vezes é preciso que o locutor explique sua mensagem, principalmente quando se trata de uma linguagem simbólica que pode gerar interpretações distorcidas como aconteceu na apresentação da Acadêmicos de Niterói. Na Bíblia existe um caso como esse, quando Jonas ficou indignado ao perceber que Deus havia matado a planta que fazia sombra sobre sua cabeça, protegendo-o dos raios do sol. Somente depois que o Criador explicou, foi que, o discurso em forma de símbolo ficou inteligível para o profeta. Por estar afundada num turbilhão metafórico, a pós-modernidade deve aprender que a pessoa mais certa para fornecer a interpretação do signo é o seu emissor. E muitas vezes, é preciso ir além da resposta dada por ele, pois existem alguns que utiliza a linguagem subentendida dos simbolos para ocultar seus reais interesses.

Que ninguém nos engane usando uma falsa humildade construída por uma máscara de preocupação com os valores morais (Colossenses 2:18). Isso é somente uma fórmula que mistura demagogia com hipocrisia (Mateus 23:28), algo que oculta a aparência do mal e a negligência da verdadeira justiça (Mateus 23:23).

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