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Postado às 08h04 CidadeDestaque Nenhum comentário

Crédito: Foto: Demis Roussos

A Prefeitura do Natal recebeu, nos dias 20 e 21 de abril de 2026, a missão técnica do FONPLATA – Banco de Desenvolvimento, em mais uma etapa das tratativas voltadas ao financiamento do Projeto Natal Integra – Fase 1, programa estratégico da atual gestão municipal voltado à modernização da infraestrutura social e ao enfrentamento das desigualdades urbanas.

O ponto alto da agenda foi a reunião, realizada entre os representantes do banco, Gastón Gómez (Chefe de Operações Soberanas) e Oscar Carvallo (Chefe de Operações Brasil), o prefeito Paulinho Freire e integrantes da equipe econômica e técnica do Município. No encontro, foram analisadas as condições de financiamento da operação, com atenção especial ao tema do “risco cambial”, considerado um dos aspectos mais sensíveis e decisivos em operações internacionais de crédito.

“Esse é um projeto transformador, que vai chegar onde a cidade mais precisa. Estamos falando de levar estrutura, dignidade e oportunidades para as pessoas que hoje vivem em situação de maior vulnerabilidade. A parceria com o FONPLATA representa um passo decisivo para tirar esse projeto do papel e iniciar um novo ciclo de investimentos sociais em Natal”, ressaltou o prefeito Paulinho Freire.

O diálogo com o FONPLATA ocorre em um momento importante para o Município. O programa Natal Integra, lançado pela então secretária de Assistência Social, Nina Souza, já havia sido estruturado anteriormente, no início de 2025, para financiamento junto ao Banco Mundial, com proposta inicial de até US$ 50 milhões. No entanto, quando a operação foi apreciada pela COFIEX, no âmbito do Ministério do Planejamento, o valor autorizado foi reduzido para US$ 19,159 milhões. Com isso, a operação deixou de se enquadrar no padrão mínimo praticado pelo Banco Mundial no Brasil, o que exigiu a busca por uma nova instituição financeira multilateral compatível com operações de menor porte.

Foi nesse contexto que o FONPLATA passou a ser tratado como alternativa viável. O banco é uma instituição pública multilateral formada por Argentina, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai, com atuação voltada à integração e ao desenvolvimento harmônico, inclusivo e sustentável de seus países membros. Sua missão institucional é justamente apoiar esse desenvolvimento por meio do uso eficiente de recursos financeiros e não financeiros.

O Natal Integra é um dos projetos centrais do plano de investimentos multissetoriais da gestão do prefeito Paulinho Freire. A proposta prevê a modernização e expansão da infraestrutura social da cidade a partir de um modelo integrado de assistência social, segurança alimentar, qualificação profissional e inclusão produtiva, com foco na população em situação de vulnerabilidade.

Entre as principais ações previstas está a implantação de complexos de “Cidades Sociais” em diferentes regiões da capital, reunindo em um mesmo espaço equipamentos como CRAS, CREAS, centro de qualificação profissional, cozinha comunitária, centro-dia para idosos e pessoas com deficiência, quadra coberta, praça de eventos, auditório, horta comunitária e outras estruturas de atendimento e convivência. A lógica do projeto é promover ocupação territorial qualificada, presença permanente do poder público e oferta articulada de serviços, contribuindo também para prevenir o avanço da violência urbana por meio de ações sociais, culturais e esportivas.

A experiência já começou a ganhar forma em Natal com a primeira Cidade Social em obras na Redinha, viabilizada com recursos de emendas parlamentares do senador Styvenson Valentim. A nova operação internacional, entretanto, permitirá ampliar esse conceito para outras áreas da cidade, sobretudo nas regiões com maior concentração de pobreza, informalidade e fragilidades urbanas.

“O Natal Integra rompe com a lógica fragmentada das políticas públicas. Ele integra assistência social, segurança alimentar e inclusão produtiva em um único modelo, centrado nas pessoas”, explicou Auricéa Xavier, secretária de Assistência Social.

Pelos dados técnicos do projeto, o Natal Integra – Fase 1 prevê investimento total de US$ 23,95 milhões, sendo US$ 19,16 milhões financiados e US$ 4,79 milhões em contrapartida municipal. A meta é beneficiar diretamente cerca de 120 mil pessoas, com ampliação da capacidade de atendimento da rede socioassistencial, modernização da infraestrutura física, integração digital dos serviços e fortalecimento das políticas de trabalho, renda e segurança alimentar.

Após a missão realizada em Natal, os próximos passos envolvem a conclusão dos processos autorizativos em curso nas instâncias técnicas e legais, seguida do início das licitações das obras previstas no programa. Superadas essas etapas, a expectativa da Prefeitura é que a assinatura do contrato e a efetiva liberação dos recursos ocorram em meados do segundo semestre.

Para a gestão municipal, o avanço das tratativas representa também a possibilidade de “destravar” Natal em relação ao acesso a recursos internacionais. A capital potiguar é hoje uma das poucas capitais brasileiras — e a única do Nordeste — que não acessou, nas últimas duas décadas, financiamentos de agências multilaterais. Em outras capitais, esse tipo de recurso teve papel decisivo na modernização urbana, impulsionando obras de mobilidade, drenagem, saneamento, requalificação da orla e melhoria de espaços públicos, contribuindo para aumento do fluxo turístico, geração de empregos, expansão econômica e aumento de receitas públicas.

Nesse sentido, a aproximação com o FONPLATA se insere em uma estratégia mais ampla de reposicionar Natal no mapa dos grandes financiamentos estruturantes, abrindo caminho para uma nova geração de investimentos urbanos e sociais capazes de reduzir desigualdades, elevar a capacidade de resposta do poder público e projetar um novo ciclo de desenvolvimento para a cidade.

“Essa missão do FONPLATA foi extremamente importante, especialmente pela análise técnica das condições de financiamento e do risco cambial, que são pontos sensíveis em operações internacionais. Estamos construindo uma solução financeiramente sustentável e aderente à realidade fiscal do município, o que nos permite avançar com segurança e responsabilidade na captação desses recursos”, concluiu o secretário de Planejamento, Vagner Araújo.

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