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Foto Joana Lima

Celebração em memória aos 381 anos do martírio de Cunhaú reuniu centenas de fiéis

A governadora Fátima Bezerra participou, nesta quinta-feira (16), da programação da Festa dos Santos Mártires de Cunhaú, em Canguaretama. A celebração foi encerrada com missa campal, presidida pelo arcebispo metropolitano de Natal, Dom João Santos Cardoso, em frente à Capela de Nossa Senhora das Candeias. A cerimônia ocorreu onde há 381 anos houve o martírio de Cunhaú, em 16 de julho de 1645.

A solenidade recorda o episódio em que um grupo de fiéis foi morto por tropas holandesas, que invadiram o Rio Grande do Norte alguns anos antes. Poucos meses depois do primeiro morticínio, um novo massacre atingiu a região de Uruaçu, em 3 de outubro de 1645, que hoje pertence ao município de São Gonçalo do Amarante. Ao todo, as ações dos invasores holandeses vitimaram 30 potiguares. Entre os mortos estavam os padres André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro.

Os Mártires de Cunhaú e Uruaçu foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 2000 e canonizados pelo Papa Francisco em 15 de outubro de 2017, tornando-se os primeiros santos mártires oficialmente canonizados do Brasil.

Segundo a governadora Fátima Bezerra, a celebração tem o propósito de preservar a memória de fé e devoção dos martirizados. “Esta festa faz parte da história do Rio Grande do Norte. É um patrimônio espiritual, histórico e cultural que fortalece nossa identidade, movimenta o turismo religioso, reúne gerações e mantém viva uma memória que atravessa o tempo”, disse ela.

Com o tema “Com nossos Santos Mártires de Cunhaú, por uma Igreja Sinodal de Comunhão, Participação e Missão”, a edição de 2026 propôs aos fiéis uma reflexão sobre a sinodalidade, destacando a comunhão, a participação e o compromisso missionário da Igreja.

Em Canguaretama, a missa campal reuniu centenas de romeiros, peregrinos, comunidades paroquiais, movimentos religiosos, famílias, jovens, além de autoridades civis e eclesiásticas. As atividades contaram ainda com apresentações culturais e shows religiosos.

Durante a homilia, o arcebispo Dom João Santos Cardoso exortou sobre a fé e o resgate da memória dos santos potiguares. “O sangue dos mártires tornou-se, dessa forma, semente de novos cristãos, e o fundamento espiritual da nossa Igreja — tanto da nossa Arquidiocese quanto da Província Eclesiástica, já que os Mártires de Cunhaú e Uruaçu são padroeiros do nosso Estado. Celebramos hoje, portanto, um dos maiores testemunhos de que a fé continua viva em nossa Igreja. Fazer memória desse acontecimento significa sempre encontrar o nosso modo de viver a fé nas circunstâncias dos tempos atuais”, exaltou.

O Governo do Rio Grande do Norte instituiu feriado estadual em 3 de outubro para lembrar a execução dos fiéis nos massacres de Cunhaú e Uruaçu, data que remete ao segundo episódio do massacre, em Uruaçu.

“Que o exemplo dos Santos Mártires continue nos inspirando a nunca desistir da esperança, a defender a dignidade humana e a cultivar, todos os dias, os valores da solidariedade, da justiça e do amor ao próximo”, pontuou o Padre Marcos Roberto Nascimento de Souza, atualmente vigário paroquial na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição em Canguaretama, além de capelão do Santuário Chama de Amor e da Capela do Martírio de Cunhaú.

Atualmente, a Arquidiocese de Natal coordena e promove programações religiosas: missas, romarias e eventos — em Canguaretama e São Gonçalo do Amarante, preservando essa memória histórica integrada à tradição do estado.

Sobre a tradicional festa de Uruaçu, o arcebispo Dom João Santos Cardoso explicou que a celebração, que normalmente acontece no dia 3 de outubro, foi marcada para o dia 26 de setembro em razão da proximidade com o primeiro turno das eleições gerais, em 4 de outubro.

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