
Agosto Branco reforça combate ao câncer de pulmão
Com estimativa de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil, especialistas alertam para a urgência da prevenção e dos avanços no tratamento
A campanha Agosto Branco mobiliza o país para a conscientização sobre o câncer de pulmão, uma das patologias oncológicas mais letais e incidentes no território nacional. Segundo as projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028, o Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano. O câncer de pulmão mantém-se em posição crítica, ocupando o 3º lugar em incidência entre homens e o 4º entre mulheres, com uma estimativa de 32 mil novos diagnósticos anuais. A Dra. Danielli Matias (CRM 4796 RN / RQE 1566), oncologista e especialista no tema, destaca que o mês é um marco vital para reverter o cenário de diagnóstico tardio que ainda impera no sistema de saúde brasileiro.
Os dados de mortalidade reforçam a gravidade do quadro: em 2020, foram registrados 28.618 óbitos pela doença. Projeções a longo prazo indicam que, entre 2041 e 2045, o Brasil poderá atingir a marca de 133 mil óbitos em homens e 121 mil em mulheres. Atualmente, o tabagismo é o principal fator de risco, sendo responsável por 85% dos casos diagnosticados. O maior desafio clínico reside no fato de que 87% dos pacientes só descobrem a doença em estágio avançado, o que reduz drasticamente as chances de cura.
Sintomas e a importância do diagnóstico precoce
A identificação precoce é dificultada pela natureza silenciosa da doença em seus estágios iniciais. Os principais sinais de alerta incluem tosse persistente por mais de três semanas, presença de sangue no escarro, falta de ar, rouquidão persistente e perda de peso sem causa aparente. Muitas vezes, esses sintomas são confundidos com infecções respiratórias comuns ou efeitos esperados do tabagismo crônico, retardando a busca por auxílio médico especializado.
“É fundamental não normalizar sintomas persistentes. O paciente fumante tende a achar que a tosse é ‘comum’, mas qualquer alteração no padrão respiratório deve ser investigada. O diagnóstico tardio retira a oportunidade de intervenções curativas, como a cirurgia”, alerta a Dra. Danielli Matias.
Ameaça dos cigarros eletrônicos (Vapes)
Um dos pontos centrais do Agosto Branco em 2026 é o combate ao uso de dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs). O Brasil registrou um crescimento de 24% no uso desses dispositivos, somando cerca de 4 milhões de usuários. A experimentação entre jovens é alarmante: 19,1% dos meninos e 14,6% das meninas já utilizaram vapes. O custo social e econômico do tabagismo no Brasil é estimado em R$ 153,5 bilhões anuais, abrangendo gastos médicos e perda de produtividade.
“Existe um mito perigoso de que o cigarro eletrônico é apenas vapor de água. Na realidade, são aerossóis que contêm substâncias tóxicas, metais pesados e altas concentrações de nicotina. Já estamos atendendo jovens com lesões pulmonares agudas e inflamações severas que podem evoluir para neoplasias precoces”, explica a oncologista.
Inovação e avanços no tratamento
Apesar do cenário desafiador, a oncologia brasileira vive uma era de avanços sem precedentes. A imunoterapia, com fármacos como Pembrolizumabe e Nivolumabe, revolucionou o tratamento ao estimular o sistema imunológico do próprio paciente a combater o tumor. Além disso, as terapias-alvo focadas em mutações específicas permitem um tratamento de precisão. No âmbito cirúrgico, a recente aprovação da cirurgia robótica pela Conitec para o SUS representa um marco de equidade no acesso à tecnologia de ponta.
“A medicina personalizada hoje é uma realidade. Conseguimos mapear o DNA do tumor e oferecer o remédio exato para aquela mutação. Temos pacientes com doença metastática em remissão há anos e com excelente qualidade de vida, algo impensável há uma década”, afirma a Dra. Danielli.


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