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Foto: Felipe Caetano

Painel reuniu experiências de diferentes regiões do Brasil e discutiu caminhos para startups acessarem mercados, parceiros e oportunidades

Por Especial GO!RN 2026

Conseguir recursos para desenvolver uma ideia é apenas uma etapa da trajetória de uma startup. Depois da validação, surgem outros desafios, como chegar ao mercado, encontrar clientes, acessar investidores e criar conexões que ajudem o negócio a crescer. No GO!RN 2026, experiências de diferentes regiões do país mostraram como ecossistemas de inovação têm buscado encurtar esse caminho.

O debate reuniu representantes de diferentes estados no painel “Do Oiapoque ao Chuí: Práticas, desafios e oportunidades de inovar e crescer em cada região do Brasil”, realizado no Palco Ecossistemas. Apesar das particularidades de cada território, as experiências apresentadas mostraram como hubs, programas de fomento e eventos podem aproximar empreendedores de oportunidades concretas de mercado.

No Amapá, a concentração do ecossistema de inovação na capital ainda contrasta com as oportunidades encontradas no interior. Para Ana Caline Escarião, esse potencial começa a aparecer à medida que novos empreendedores entram em contato com o universo da inovação.

“A gente conheceu jovens de 16 anos que têm várias ideias, que nem sabiam que estavam inovando e que poderiam empreender. Nem sabiam que estavam fazendo isso”, contou.

O desafio seguinte é fazer com que essas ideias consigam avançar para além do mercado local.

“O desafio não é criar uma startup no Amapá. É criar uma startup que pode ganhar o mundo”, resumiu.

Em São Paulo, o cenário é outro. A quantidade de eventos, empresas e ambientes de inovação amplia as possibilidades de conexão, mas também aumenta a disputa pela atenção dos empreendedores.

Community Leader e Customer Success do Learning Village, hub de inovação localizado em São Paulo, Sofia Lara Todão Szenczi percebeu isso ao assumir a coordenação da comunidade, que reúne 92 startups. Diante da baixa adesão às atividades, suspendeu a programação por dois meses e passou a ouvir os residentes para entender o que esperavam daquele ambiente.

“Eu percebi que eu não estava ouvindo os meus residentes. Eu travei dois meses sem fazer evento nenhum e fui perguntando: o que vocês querem? O que vocês precisam? Qual é o diferencial?”, contou.

A resposta apareceu também no comportamento do público. Um evento que combinava pitches e happy hour, por exemplo, tinha pouca participação durante as apresentações e ganhava público no momento de convivência. Os próprios residentes explicaram que, por compartilharem o mesmo espaço, já conheciam aquelas startups e buscavam outras formas de interação.

A experiência mudou a maneira como Sofia passou a pensar a programação. Em meio à quantidade de atividades disponíveis em São Paulo, a escolha de participar também passa pelo retorno que aquela conexão pode trazer para o negócio.

“Para eu participar de algum evento de inovação, eu preciso entender por que a minha startup precisa ficar em pé lá dentro. Eu preciso que ela gere negócio”, afirmou.

No Rio Grande do Sul, a Community Manager do South Summit Brazil, Djenifer Walczak destacou a confiança entre as pessoas como um dos elementos que sustentam as conexões do ecossistema. Pesquisadora na área de ecossistemas e governança, ela resume essa característica de forma direta.

“O Rio Grande do Sul é muito bem orquestrado por CPF, não por CNPJ.”

Segundo Djenifer, as enchentes que atingiram o estado também marcaram uma mudança na relação entre diferentes atores. A necessidade de responder conjuntamente à crise fortaleceu a colaboração entre empresas e estimulou novas formas de trabalhar em rede.

“A gente colabora muito desde a enchente. Foi um aprendizado que a gente teve sobre trabalhar em equipe. Uma empresa conhece a outra, uma empresa contrata a outra, uma empresa puxa a outra”, relatou.

Nos ambientes de inovação, essa aproximação pode ser construída de forma intencional. Djenifer citou iniciativas que identificam demandas de empresas e colocam à mesa startups com soluções que podem responder àqueles desafios. Para ela, o resultado esperado vai além de uma apresentação de poucos minutos.

“O que a gente precisa é que ela gere negócio”, destacou.

A disposição para conhecer pessoas também entrou na conversa. Djenifer contou que uma orientação recorrente nos ambientes de inovação do estado é simples: conversar com quem ainda não faz parte da própria rede.

“Converse com estranhos. Esteja disposto a conhecer a pessoa, escutar, aprender e colaborar.”

Para além dos grandes centros

A criação desses ambientes, porém, não garante que as conexões aconteçam. Sócio da startup XR Seeds e liderança do ecossistema de inovação de Rio Verde (GO), Arthur Almeida Rodrigues chamou atenção para a participação dos próprios empreendedores nesse processo. Na avaliação dele, não adianta criar hubs, programas e oportunidades de aproximação entre regiões se as startups não ocuparem esses espaços.

Essa circulação também ajuda a questionar a ideia de que crescer significa necessariamente chegar a São Paulo. Arthur lembrou que outros estados podem oferecer caminhos para startups que buscam investidores, clientes e expansão.

“São Paulo é uma opção de negócio e não necessariamente precisa ir”, afirmou. Segundo ele, conhecer outros mercados pode ser uma estratégia para negócios que encontram maior concorrência nos grandes centros.

O painel, mediado por Islard Rocha, da Jerimum Valley, integrou a programação do GO!RN 2026, realizado nos dias 18 e 19 de setembro, no Centro de Convenções de Natal. Promovido pelo Sebrae-RN, o evento teve correalização de mais de 40 instituições parceiras.

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