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Marcelo Queiroz – Presidente da Fecomércio-RN

Por Marcelo Queiroz – Presidente da Fecomércio-RN

A aprovação, pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Conema), de regras específicas para o licenciamento de data centers abre uma possibilidade concreta para o Rio Grande do Norte. O Estado avança na definição de critérios para avaliar projetos de um setor em expansão e dá aos investidores mais clareza sobre o caminho a percorrer. O próximo desafio é transformar essa condição em investimentos que gerem oportunidades para os potiguares.

Os data centers fazem parte da infraestrutura por trás de serviços que usamos todos os dias, desde o armazenamento de arquivos e o funcionamento de sistemas pela internet, a chamada computação em nuvem, até as ferramentas de inteligência artificial. Dependem de energia, conectividade e equipes qualificadas.

O Estado tem um ativo relevante nesse cenário. O RN em Foco 2027-2030, elaborado pela Fecomércio RN, registra 13,2 gigawatts de capacidade instalada de geração de energia e outros 8,9 gigawatts em projetos outorgados, ainda não construídos. O documento inclui expressamente esses centros de dados entre as atividades que essa expansão pode ajudar a atrair.

A água exige atenção especial

Para receber esses projetos, a capacidade de geração precisa vir acompanhada de infraestrutura adequada, previsibilidade para quem investe e responsabilidade com os recursos naturais. No Rio Grande do Norte, o uso da água exige atenção especial. A norma aprovada pelo Conema prevê estudos ambientais mais aprofundados para grandes projetos que utilizem sistemas abertos de refrigeração, associados a maior consumo de água. Assim, o licenciamento pode considerar as características e os impactos de cada empreendimento.

A Fecomércio RN e outras entidades representativas do setor produtivo estiveram à frente das discussões, em articulação com o Governo do Estado. O diálogo permitiu examinar os aspectos técnicos e construir uma solução conjunta.

No plano nacional, a recente criação do Redata soma-se a esse avanço. O regime federal de incentivos ao setor vincula seus benefícios a compromissos com energia de fontes renováveis ou de baixa emissão, eficiência hídrica, pesquisa e desenvolvimento.

Para competir por esses investimentos, o Rio Grande do Norte ainda precisará assegurar condições de conexão e fornecimento de energia para cada projeto. Também será necessário formar profissionais e aproximar empresas locais das demandas que surgirem, para que os efeitos desses empreendimentos alcancem outras atividades da economia potiguar.

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