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Crônica Flávio Rezende: Escritos da Alma – só sei que nada sei –

Escritos da Alma

– só sei que nada sei –

O escritor obviamente adora escrever e busca no movimento dos seres, na paisagem natural que o rodeia, nas possibilidades diversas que ele vivencia, os elementos necessários para o mote da escrita.

Hoje é o dia do Natal, vivi momentos com amigos e filha em Ponta Negra e agora só, na degustação do caranguejo e da cerveja, divago em busca do assunto para aqui dedilhar o provavelmente, último texto do ano.

Já pensei no mundo real que se transportou para as telas dos celulares, sim, hoje vivemos mais absortos na pequena tela e no oceano de babados aqui disponíveis, que no mundo que chamávamos de verdadeiro.

Nossos olhos observam mais as flores aqui, que alhures, conhecem mais seres aqui, que nas ruas, captura mais informações aqui, que nas aulas e/ou papos com amigos e familiares.

Pensei também em relatar os retrocessos que tivemos, como nas campanhas de vacinação, antes vitoriosas, cheias de adesão, hoje magras, com pouca atenção, o mesmo com a verdade, antes tão sagrada, hoje inconveniente se não serve a seu grupo ideológico. Cheguei ao ponto de reclamar de um amigo que deliberadamente enviava posts altamente mentirosos nos grupos, e ouvir dele que sabia ser mentira, mas interessava a sua turma política.

Cheguei a pensar em escrever sobre as relações líquidas, que se esvaem ao sabor de decisões momentâneas, pensei em falar sobre os jovens que não mais conversam com os pais, só querem as benesses dos equipamentos eletrônicos, falar dos jogos de futebol enfadonhos em regras de impedimento que enterram grandes goleadas, restringindo placares a no máximo dois gols, quando três já consideram goleada.

Pensei em escrever sobre os dirigentes que não se esforçam pela paz e ameaçam apertar os botões dos grandes artefatos mortíferos.

Tantos assuntos, inúmeras possibilidades, ditadores vencendo eleições, falsos democratas iludindo, lobos em pele de cordeiro se proliferando como nunca, uma massa ignara crescendo vertiginosamente e tornando o planeta um oceano de babacas e imbecis, as religiões sendo dominadas por falsos, vendedores de areias sagradas e águas santas, profetas do ódio e propagadores da discórdia.

Busquei, procurei, olhei em volta, não consegui ver motivo para escrever o último Escritos da Alma com algo positivo, bem a meu gosto.

Infelizmente estamos cercados de hipócritas, convivendo com pessoas que pregam certas coisas e fazem outras e, a grande população mundial, no lugar de entender isso, adere, alimenta o caldo da falsidade, aplaude os satanistas, empodera o que temos de pior, normaliza o absurdo, detona os anjos e seres pacíficos e iluminados.

Vivemos verdadeiramente tempos muito obscuros, para a infelicidade planetária.

Não arrisco dizer se em 2025 vai piorar ou melhorar, só sei que nada sei, mas o que sinto é que uma nuvem muito pesada paira sobre nós.
Oremos.
Luzzzz.

Flávio Rezende aos vinte e cinco dias, décimo segundo mês, ano dois mil e vinte e quatro. 16h42, praia de Ponta Negra. Natal. RN-BRASIL.

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