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Luta de mais de 70 anos do povo do Seridó, com ordem de serviço assinada em junho de 2013, Oiticica recebe água da transposição – Foto: Raiane Miranda/Assecom-RN

O chão seco do Seridó guarda a memória de um tempo em que a água era incerteza e a seca, um destino imposto. Nesta quarta-feira (19), essa história começou a mudar. Diante de milhares de pessoas ansiosas pela realização de um sonho coletivo, esperado por gerações, a governadora Fátima Bezerra e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inauguraram a Barragem Oiticica, na comunidade de Nova Barra, em Jucurutu (RN).

A inauguração ocorreu em um dia carregado de simbolismo para o sertanejo: o Dia de São José. Padroeiro das chuvas, São José representa a fé e a esperança do povo do sertão nordestino, que há séculos olha para o céu e confia na chegada da água. E, desta vez, a promessa se cumpriu, não na forma da chuva, mas na concretização de uma luta histórica por segurança hídrica.

“Estamos vivendo um momento muito especial para a vida do sertanejo, do povo do Seridó, do nosso Rio Grande do Norte. Ver esta barragem ser entregue hoje, a grandiosidade dela, é algo que nos deixam muito emocionados porque passa um filme em minha cabeça. Eu, menina em Nova Palmeira; Lula, menino em Caetés, conhecemos a seca de perto. Lembro de minha mãe nos acordando de madrugada, no período de seca brava, para ir buscar água numa cacimbinha para matar a sede”, afirmou a governadora Fátima Bezerra, relembrando outra cena mais dramática, comum no passado: “a seca não era apenas o pote vazio. Era a fome. Era o drama de uma mãe amorosa como a minha, no tempo da estiagem dura, chegar para mim e dizer que não podia repetir o prato porque se fizesse, meu irmão não teria o que comer”, reforçou Fátima fazendo uma homenagem “às mães que sofreram tanto, no passado, com o flagelo da seca”, às pessoas que lutaram pela obra e aos servidores que trabalharam para que a projeto fosse concretizado.   A governadora definiu o Complexo Hidrossocial Oiticica como um marco de esperança e dignidade para o povo potiguar.

O presidente Lula disse que a condição de nordestino que, ainda menino, tinha como atribuição buscar água no açude para o gasto doméstico da família, contribuiu para tirar do papel o projeto de levar água do Rio São Francisco para garantir segurança hídrica no sertão de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

“Quando fui eleito presidente da República, em 2003, eu tinha na cabeça provar que a gente poderia fazer aquilo que Dom Pedro, no tempo do Império, tentou e não conseguiu. Resolvi que era possível trazer a água do Rio São Francisco para aliviar o sofrimento 12 milhões de nordestinos. Somente quem viveu a experiência de tomar água de barreiro, com caramujo, sabe a importância da água para o Nordeste brasileiro. Então, assumi a responsabilidade e hoje eu estou aqui inaugurando um dos últimos trechos e uma das últimas obras da transposição”, destacou o presidente, enfatizando que a seca é um fenômeno da natureza, “mas a morte de pessoas e animais, de gente indo embora para São Paulo e para o Sul do país fugindo da seca, era consequência da irresponsabilidade de quem governava o país.”

Luta de mais de 70 anos do povo do Seridó, com ordem de serviço assinada pela então presidenta Dilma Rousseff em junho de 2013, Oiticica recebe água da transposição. Ela é a principal obra do Complexo Hidrossocial Oiticica, que inclui a comunidade Nova Barra de Santana, toda saneada; três agrovilas para assentamento de trabalhadores rurais sem terra e de famílias que viviam nas áreas inundáveis do reservatório; além da construção de estradas de acesso às localidades rurais e de rede de energia elétrica para consumo domiciliar e irrigação.

Com capacidade para armazenar 742,6 milhões de metros cúbicos de água, o reservatório é o segundo maior do Rio Grande do Norte e integra o Projeto de Integração do Rio São Francisco. Ele abastecerá diretamente 43 municípios, beneficiando 330 mil pessoas; permitindo a produção de culturas irrigadas, perenizando o curso do rio Piranhas/Açu e servindo como escudo para o controle de enchentes na região.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, disse que o governo federal, por meio eixo ‘Água para Todos’ do  Programa de Aceleração do Crescimento, lançado pelo presidente Lula em agosto de 2023, destinou R$ 163 milhões para Oiticica, obra apontada como prioritária pelo governo do RN no PAC-3.

Durante a solenidade de Oiticica o presidente Lula assinou a ordem de serviço de outra obra importante de segurança hídrica no Rio Grande do Norte: a Adutora do Agreste Potiguar, que vai reforçar o abastecimento de 14 municípios localizados numa região onde não há grande reservatórios de água e o sistema atual já não tem capacidade de atender à demanda. Entre os municípios beneficiados estão Santa Cruz, Nova Cruz, Canguaretama, Tangará. Também serão contemplados Serra de São Bento e Monte das Gameleiras, importantes polos turístico do Agreste.

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