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Postado às 16h11 CulturaDestaque [ 1 ] comentário

Foto Adrovando Claro

Em 2001, dois territórios negros do Rio Grande do Norte compartilhavam trajetórias marcadas pela resistência e pelo esquecimento: Capoeiras, em Macaíba, e Sibaúma, em Tibau do Sul. À época, ambas as comunidades eram pouco conhecidas e viviam à margem das políticas públicas. Hoje, mais de duas décadas depois, seus moradores relembram, por meio de uma exposição fotográfica, os caminhos trilhados desde então e as transformações conquistadas com o fortalecimento do movimento negro no estado.
A mostra — composta por retratos realizados em 2001 e revisitados agora, 24 anos depois — revela não apenas mudanças físicas nos espaços, mas também o amadurecimento de uma consciência coletiva sobre identidade, luta e pertencimento. Cada imagem é acompanhada por depoimentos que registram o olhar atual de quem viveu essas transformações.

O deputado federal Do Partido dos Trabalhadores, Fernando Mineiro, organizou o e-book, RESISTÊNCIA E MEMÓRIA QUILOMBOLA – UM REENCONTRO COM A HISTÓRIA VIVA DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS DE CAPOEIRAS E SIBAÚMA e citou que a exposição convida a uma viagem no tempo, através de registros fotográficos das comunidades quilombolas potiguares de Capoeiras, no município de Macaíba, e de Sibaúma, em Tibau do Sul.

A partir das fotografias produzidas em 2001 para uma cartilha do mandato do deputado Fernando Mineiro, viajamos entre o início do século e 2025, traçando um paralelo dessas famílias quilombolas. O primeiro material, com relatos e fotografias, buscava dar visibilidade a territórios historicamente invisibilizados e fortalecer a luta por reconhecimentos e direitos. “Os registros dessa exposição são atualizações das imagens e histórias dessas comunidades, com o reencontro entre passado e presente revelando transformações profundas: conquistas sociais, maior organização comunitária, acesso a políticas públicas e o fortalecimento da identidade quilombola no estado”, ressaltou Fernando Mineiro.

“As fotografias atuais dialogam com as imagens de 2001 e mostram vidas que seguiram construindo resistência, educação e pertencimento. Depoimentos captados ao refazer as imagens antigas revelam trajetórias marcadas pela conquista de espaços e pela continuidade da luta territorial,” Concluiu Fernando Mineiro.

A exposição de Capoeiras e Sibaúma tem direção fotográfica de Adrovando Claro, responsável também pelos registros originais. Ao retornar às comunidades, ele reconstrói, junto aos moradores, uma narrativa visual que honra a ancestralidade e reafirma a importância de proteger e valorizar os territórios quilombolas. Esta exposição é um testemunho histórico do compromisso do mandato de Mineiro com essas comunidades e da força política e cultural que sustenta sua resistência.

Para Ingrid Tainá, moradora de Capoeiras, uma das pessoas fotografadas, o tempo trouxe conquistas visíveis e novos horizontes. “Tenho 28 anos, moro na comunidade de Capoeiras e vejo que muita coisa mudou. Antes, a gente não tinha o apoio que tem hoje. Com o tempo, tudo foi se transformando. Sempre estudei e vivi aqui, e agora estou trabalhando como estagiária de pedagogia na Escola Municipal Santa Luzia. Falta ainda três anos para concluir o curso, que comecei em janeiro, em Macaíba. Meu sonho é ser professora”, relata.

A voz da liderança comunitária Maria Lídia, uma das fundadoras da Associação Quilombola de Capoeiras, traz a dimensão da luta política e do reconhecimento coletivo. “Fui eu quem fundou a associação e lembro que, quando começamos, Capoeiras era uma comunidade desconhecida. As pessoas de fora zombavam dos negros daqui, havia muito preconceito. Antigamente, a gente não podia nem passar por certas cidades vizinhas, como Bom Jesus, sem ser humilhado. Isso mudou quando passamos a participar do movimento negro. Eu e a companheira Elizabeth Lima fomos abrindo caminhos, participando de encontros regionais e nacionais. Viajamos muito, aprendemos muito e fizemos amizades que trouxeram conhecimento para nossa comunidade. Hoje já não viajo tanto, mas continuo acreditando que as novas gerações vão dar continuidade a essa luta. Já são 26 anos de militância, e ver Capoeiras reconhecida como comunidade quilombola é uma grande vitória”, afirma.

Em Sibaúma, o tempo também deixou marcas profundas. Mariana Barbosa Ferreira revive as lembranças da infância e da transformação de um lugar que cresceu, mas carrega memórias de dor e superação. “Minha história em Sibaúma é longa. Eu morava lá desde criança. Minha mãe faleceu quando eu tinha quatro anos, e fui criada pela minha avó. Depois de uma desavença familiar, fui obrigada a sair de casa, e ela adoeceu logo em seguida. Naquele tempo, o povoado era pequeno, tinha poucas casas. Hoje, muita coisa mudou: Sibaúma cresceu, tem mais gente morando, e as estradas que eram de barro agora são calçadas. A casa da minha avó não existe mais, só o terreno, mas o sentimento de pertencimento continua”, recorda.

O repórter fotográfico Adrovando Claro, comentou que “Em 2001, fui convidado pelo então vereador de Natal — e hoje deputado federal — Fernando Mineiro, para realizar um ensaio fotográfico nas comunidades quilombolas de Capoeiras em Macaíba e Sibaúma em Tibau do Sul no litoral potiguar. Era um tempo em que a fotografia ainda se fazia em filmes preto e branco de 36 poses, com câmeras analógicas e enquadramentos que dependiam do olhar atento e da sensibilidade jornalística de cada instante. Registravam-se os personagens e seus ambientes com o compromisso de contar histórias reais, marcadas pela identidade e pela força coletiva”.

Adrovando Claro disse também que “O resultado daquele trabalho integrou a coleção “Dito e Feito – Sociedade e Cultura”, sob o título “Negros e Negras: diferentes sim, desiguais não.” As imagens também compuseram uma exposição em Natal, no Solar Bela Vista, em alusão ao Dia da Consciência Negra. Agora, em 2025, o Rio Grande do Norte celebra a data como feriado nacional, reforçando a importância desse marco histórico e simbólico. “No início deste ano, reencontrei o deputado Fernando Mineiro durante um evento cultural na Pinacoteca do Estado. Ao relembrar aquele livreto e as fotografias de 2001, surgiu a idéia de refazer o ensaio, revisitando as mesmas comunidades e buscando reencontrar as pessoas retratadas há 24 anos. As crianças e adolescentes de então se tornaram adultos; os adultos em idosos. Alguns mudaram de endereço, outros já não estão mais entre nós. Mas todos permanecem como parte viva de uma memória coletiva que a fotografia ajuda a preservar”, explicou.

O projeto, que nasceu em 2001 para celebrar o Dia da Consciência Negra, hoje se transformou em um resgate histórico e afetivo, reafirmando o papel da imagem como documento atemporal — um testemunho que o tempo não apaga. Em diferentes momentos, Adrovando Claro disse que visitou Capoeira, a primeira vez em 1996, com o projeto do jornal fotográfico O Foco, Retratos da Cidade de Macaíba. Depois em 2004, acompanhado por estudantes de fotografia de uma universidade norte-americana, Rochester Institute of Technology, para fotografar o batuque da comunidade; e, mais recentemente, em 2017, junto a professores da disciplina de Religião da Rede Municipal de Educação de Natal.

“Essas últimas ocasiões foram visitas breves, sem a oportunidade de reencontrar os rostos que ficaram impressos nas fotografias de 2001. Mas, enfim o tempo proporcionou a oportunidade de voltar a Capoeira e criar novas fotos, um lugar que em 2001 era apenas uma comunidade rural esquecida de Macaíba e se transformou numa área reconhecida e declarada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) como terra remanescente de Quilombos em 2013”, reforçou o fotografo.
Pelas fotografias dos dois períodos, seguem as pessoas de Capoeira — atentas, fortes e resilientes, enfrentando os desafios do tempo com coragem, beleza, esforço e energia. Suas histórias continuam sendo expressão de luta e transformação, agora revisitadas por meio das lentes que, há 24 anos, já revelavam a dignidade e a esperança de um povo, que forma um dos mais tradicionais territórios quilombolas do Rio Grande do Norte.

Os depoimentos reunidos na exposição formam um mosaico de vivências que se entrelaçam entre o passado e o presente. São memórias que, ao serem revisitadas, reafirmam a importância da preservação cultural e da valorização da história das comunidades quilombolas do estado.

Mostra fotográfica será exposta a partir das 13h desta sexta-feira, dia 28, na Associação Cultural de Capoeiras, em Macaíba(RN), dentro da programação cultural da comunidade em homenagem a Dia da Consciência Negra.

Uma resposta para “Entre Memórias e Resistências: 24 anos depois, as comunidades quilombolas de Capoeiras e Sibaúma revivem suas histórias em exposição fotográfica”

  1. Que beleza de registro! Memória e história coletiva de um povo resistente pelas lentes inteligentes de Adrovando Claro em consonância com o comprometimento político do Deputado Federal Fernando Mineiro, muito beneficia a possibilidade de um mundo socialmente mais humano.
    Parabéns, amigo.

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