
Reprodução/Instagram @vinijr
Mais uma vez, Vinícius Júnior denunciou ter sido alvo de ofensas racistas. Desta vez, na vitória do Real Madrid sobre o Benfica, no Estádio da Luz, pela Liga dos Campeões da UEFA.
O roteiro se repete: Vini marca um golaço, uma obra de arte. Dança, explode em alegria e irreverência no nível que o espetáculo pede. E, mais uma vez, tem sua obra futebolística manchada, sua humanidade violada e reduzida à cor da pele.
Não é sobre futebol. É sobre poder. Por não ser capaz de parar o adversário na bola, ataca e busca diminuí-lo pelo que ele é. Chamado pelo rival de “mono” (macaco, em espanhol), o jogador brasileiro recorreu imediatamente ao árbitro que ergueu os braços em “X” e acionou o protocolo antirracismo. Um gesto simbólico que não passou disso. A partida foi paralisada por dez minutos. O jogo voltou. Não houve punição imediata.
Uma violência tolerada, naturalizada e que se perpetua pela falta de punição real. Assistir ao técnico português José Mourinho evitar comentar o episódio e criticar a comemoração de Vinicius Junior é mais um sintoma da parte doente do futebol que não suporta o drible, a dança e, principalmente, o fato de ele gritar para o mundo inteiro que não aceita se submeter e suportar em silêncio por ter um espaço entre os “nobres”.
Quando reage, dizem que é exagerado. Quando denuncia, dizem que é vitimização. Quando brilha, dizem que provoca. É a tentativa de fazer parecer que o problema não é o racismo, mas a reação ao racismo.


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