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Escritos da Alma – Muito amor pelos manos hermanos –

Escritos da Alma

Muito amor pelos manos hermanos

Quem acompanha os Escritos da Alma, bem como as crônicas, artigos, poesias e tantos outros textos que venho oferecendo ao planeta há quase cinquenta anos, sabe que o amor pelos meus pais, irmãos, parentes, amigos, pela cidade onde nasci, pelo meu país, pela natureza e por essa infinita teia da existência sempre foi o grande fio condutor de tudo o que escrevo.

É um sentimento que cresce com o tempo e se renova a cada amanhecer, acompanhando minha caminhada por este pequeno ponto azul perdido na imensidão do cosmos.

Hoje esse amor voltou a transbordar.

Na academia que frequento, fui reconhecido por um amigo da minha querida mana Lila. Depois de confirmar que eu era realmente o irmão da inesquecível Liloca, ele começou a falar dela com uma admiração tão sincera que me deixou imóvel sobre o aparelho de musculação, feito uma lagartixa agarrada à parede, apenas concordando com a cabeça enquanto cada palavra encontrava eco dentro de mim.

Seu depoimento descrevia alguém que parecia ter vindo de outra dimensão. Lila jamais foi apenas uma mulher. Era uma anja de asas cuidadosamente escondidas, enviada por um breve período para espalhar alegria, delicadeza, beleza e exemplos de bondade por onde passava.

A lembrança dela abriu, imediatamente, as portas da memória e trouxe de volta os demais manos que hoje habitam a luz.

Júlio, o primogênito, foi quem me apresentou ao rock e me ensinou que havia inúmeras maneiras de enxergar o mundo. Devo a ele boa parte da formação da minha personalidade: tornou-me flamenguista, abecedista e apaixonado por jazz, blues, rock e MPB.

Depois veio Dinho, completamente diferente, mas igualmente inesquecível. Bem-humorado, solidário, prestativo e dono de uma alegria contagiante, transformava qualquer encontro numa celebração da vida.

Lila foi a primeira a partir. Deixou um universo de amigos, das festas aos terços cristãos, todos marcados pela sua generosidade, pelo sorriso permanente e pelo senso de justiça que carregava naturalmente.

Apesar das diferenças de personalidade entre meus irmãos, havia algo que os unia profundamente: o amor incondicional pelos filhos, pela nossa família e pelo planeta.

Essa talvez seja a maior herança da família Rezende.

Aprendemos, desde cedo, a cultivar afeto, solidariedade, respeito pelo próximo, encantamento diante da beleza e compromisso com a justiça.

Papai e mamãe foram os grandes responsáveis por esse alicerce. Mesmo separados em determinado momento da vida, jamais deixaram que a harmonia familiar fosse rompida. Continuaram nos protegendo como quem constrói, todos os dias, uma verdadeira Arca de Noé feita de amor.

Carrego um amor imenso por cada um dos manos que já seguiram viagem. E esse mesmo amor permanece inteiro pelos irmãos que continuam compartilhando comigo esta travessia terrestre.

Leila dispensa definições. É uma dessas pessoas que não cabem nas palavras. Quando chegar o momento de sua passagem, sequer precisará de testemunhas. Os próprios divinos falarão em sua defesa.

Jorge segue sendo meu parceiro de tantas jornadas. Dividimos Ponta Negra, Flamengo, o Sempre Rock, as paqueras, as boas conversas e as longas reflexões espirituais. Como simpatizantes da Revelação Cósmica, gostamos de decifrar os babados de Javé, Sophia, Pandora e Tikun, mergulhando também nas instigantes revelações de Jan Val Ellam.

No alto, embaixo e em toda parte existe uma força que sustenta tudo: o amor.

Amor por papai e mamãe.

Amor pelos irmãos que hoje habitam outras dimensões.

Amor pelos que continuam caminhando ao meu lado.

Amor pela humanidade.

Amor pelo planeta.

Amor pela própria Vida.

E sigo torcendo para que todos encontremos, um dia, nossa melhor versão e realizemos uma bela viagem rumo ao Alto.

Em todas as grandes línguas do planeta, repito com alegria:

Eu amo meus irmãos.

I love my siblings.

Amo a mis hermanos.

Ich liebe meine Geschwister.

J’aime mes frères et sœurs.

私はきょうだいを愛しています。

Arrocha o colorau.

Au… au… au…

 

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