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Postado às 06h10 • Cultura • Plantão • Nenhum comentário

A alegria da identificação

Escritos da Alma — A alegria da identificação

Tenho observado os animais e percebido que eles vivem, essencialmente, para a procriação e a manutenção da existência. Talvez por isso, geralmente, não criem vínculos de parceria duradouros, salvo raríssimas exceções. Não medem esforços para disputar ou até roubar o alimento do outro e podem chegar ao ataque para garantir a posse do seu “rango”.

O ser humano não é tão diferente. Busca as mesmas coisas e, muitas vezes, apresenta comportamentos semelhantes, apenas disfarçados por uma camada de civilidade e humanismo. Para muitos, essa aparência é apenas verniz, mentira e desfaçatez. Vemos sapiens matando não por alimento ou sobrevivência, mas por usura, ego, ganância, desejo de posse e tantas outras negatividades horríveis.

Mas, se temos esse lado detestável, também possuímos um lado bonito, que vai além da solidariedade e do amor. É a alegria de encontrar um semelhante em algum aspecto: alguém usando a camisa do time para o qual também torcemos, carregando o adesivo do político que apoiamos ou ostentando um símbolo da religião que seguimos.

Além do prazer visual de reconhecer um igual, existe também a alegria da conversa. Numa mesa de bar, em uma reunião, num encontro de paquera ou até mesmo em um grupo de WhatsApp, quando percebemos que estamos em consonância com alguém, surge uma sensação muito agradável de identificação.

A vida nos oferece inúmeras possibilidades de felicidade. Uma delas é justamente encontrar pessoas que carregam alguma semelhança conosco. Essa identificação produz uma sensação especial: é como receber um pequeno certificado de que não estamos sós e de que, neste mundo tão competitivo, existem muitas pessoas caminhando na mesma direção que nós.

Então, vamos indo. Creio que o melhor caminho é evitar conflitos desnecessários e celebrar quando encontramos pessoas que compactuam com nossas visões, sentimentos e posições. Afinal, identificar-se com alguém é também descobrir que, apesar de todas as diferenças, há caminhos que podemos percorrer juntos.

Arrocha o colorau au au au!

Flávio Rezende
Aos quatro dias de outubro do ano dois mil e vinte e seis.
20h13. Natal, RN — Brasil.
Planeta Terra. Atlântida.

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