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A dinâmica da vida e a gente no meio do muído

Escritos da Alma

A dinâmica da vida e a gente no meio do muído

Alguns dias atrás, minha filha entrou de férias e pedi que ela escolhesse o que gostaria de fazer. Inusitadamente, quis conhecer o Partage Norte Shopping, na Zona Norte de Natal. Gostei da ideia e lá fomos nós, conhecer o lugar e almoçar.

Durante o almoço, ela me perguntou se poderia antecipar o presente dos seus 17 anos, que só acontecerá em novembro. Foi aí que descobri que o “mimo” seria algo bem maior: assistir a um show da banda My Chemical Romance, de rock, em Nashville, poucos dias depois.

Não era uma proposta fácil. Dinheiro considerável, tempo exíguo, logística complicada. Mas dei sinal verde. Começamos a pesquisar passagens, ingressos e possibilidades de deslocamento. Como Nashville não fica tão distante de Miami — onde desfruto de boas amizades —, pensei que poderia dar certo.

E deu.

Na ânsia de torná-la feliz, comprei os ingressos, passagens e demais babados da aventura. Só que, mais adiante, no prolongamento das providências, descobri que o visto americano dela estava vencido.

Aí começou uma verdadeira via-crúcis, com a preciosa ajuda da amiga Aurilene, que conseguiu agendar uma entrevista no Consulado Americano em Recife. Fomos, fizemos a entrevista e obtivemos o visto — concessão que, diante do cenário atual, não é algo tão simples.

O problema é que não conseguimos receber o passaporte com o visto impresso a tempo da viagem.

Para não perder totalmente o dinheiro já investido, uma vez que os ingressos não eram reembolsáveis e a remarcação das passagens aéreas custaria mais do que aquilo que eu havia pago, tomei a decisão de viajar sozinho.

E aqui estou.

Sozinho, mas curtindo Miami, cercado pelas amizades que a vida me presenteou e pelas benesses que delas advêm.

Enquanto isso, Mel, que teve o sonho de assistir ao show adiado, precisou transformar rapidamente a euforia e a gratidão pelo que poderia acontecer em resiliência para aceitar o que não aconteceu. E ela lidou muito bem com tudo.

Como se a vida quisesse acrescentar mais um capítulo à história, durante sua permanência em Natal ela passou a vivenciar também problemas com um dos pets que cria na casa da mãe: Huck, um buldogue francês que enfrenta complicados problemas neurológicos.

Eis a vida.

Da euforia de um possível sonho realizado — assistir a uma banda querida em um show longe de casa — à realidade de um visto que demorou, de uma viagem que precisou mudar de rumo e, ainda, à preocupação com um bichinho amado enfrentando problemas de saúde.

A vida é assim: dinâmica, imprevisível, cheia de curvas, encontros, desencontros, alegrias e aprendizados. E a gente vai vivendo no meio desse “muído” todo, tentando fazer o melhor possível.

Eu, aqui, já sessentão, curtindo Miami.

Mel, adolescente, vivenciando tudo isso e reagindo de maneira muito equilibrada.

E, neste Dia dos Pais, percebo que tenho, na verdade, dois presentes enormes.

De um lado, uma filha ainda muito nova, mas já demonstrando uma maturidade, uma sensibilidade e um equilíbrio que me enchem de orgulho.

Do outro, um filho mais velho, agora pai recente, debutando neste Dia dos Pais em um ambiente familiar cheio de amor.

Que presente melhor eu poderia ter?

Afinal, depois de tantos caminhos percorridos, tantas histórias vividas e tantos “muídos” atravessados, talvez uma das maiores felicidades seja justamente esta: olhar para os filhos e perceber que estão bem encaminhados, resolvidos, amorosos e construindo suas próprias histórias.

É uma felicidade imensa.

E talvez seja essa a grande beleza da vida: a gente planeja uma coisa, ela acontece de outra maneira, surgem imprevistos, sonhos são adiados, novos problemas aparecem… e, no meio de tudo, descobrimos que já temos muito mais do que imaginávamos: amor, amor, amor…

Flávio Rezende
9 de agosto de 2026
Miami Beach, USA
17h26 — planeta Terra

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