
Escritos da Alma. – A felicidade de usar as coisas –
Escritos da Alma.
– A felicidade de usar as coisas –
Nas duas últimas semanas, tive o pr azer de esvaziar completamente um frasco de alfazema, um tubo de pasta de dente e um creme para a pele. Sempre que isso acontece, sinto uma satisfação difícil de explicar.
É a sensação de ter usufruído daquilo que adquiri da maneira mais correta possível: usando até o fim um bem que nasceu dos recursos da natureza e do trabalho humano. É um gesto simples, mas profundamente significativo.
Escrevo sobre isso porque vejo muitas pessoas adquirindo inúmeros produtos sem jamais utilizá-los por completo. Muitos acabam esquecidos em prateleiras, gavetas ou armários, enquanto novos são comprados. Esquecemos que tudo o que consumimos exige matéria-prima, energia, água, transporte, conhecimento e trabalho. Muitos desses recursos levam décadas, séculos ou até mais para se regenerarem plenamente.
Precisamos desenvolver uma consciência mais ampla sobre tudo o que fazemos: sobre as pessoas que escolhemos para nos representar, sobre aquilo que compramos, consumimos e descartamos, sobre a forma como utilizamos os alimentos e os bens materiais. A cidadania começa nesses pequenos gestos cotidianos.
Quando usamos um produto até o fim, respeitamos não apenas o dinheiro investido, mas também o planeta que forneceu os recursos para sua existência. É uma forma silenciosa de gratidão e responsabilidade.
Assim exercemos uma verdadeira cidadania planetária, indispensável para a continuidade da nossa própria existência. Que tenhamos a sabedoria de consumir com consciência, utilizar plenamente aquilo que adquirimos e cultivar uma postura ética diante da vida. É um pequeno gesto, mas é o certo a fazer.
Flávio Rezende
Aos dezenove dias do sexto mês do ano de dois mil e vinte e seis.
Planeta Terra, Atlântico Sul.


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