Enxaqueca vai além da dor de cabeça e exige tratamento individualizado, alerta especialista

Kelly Gama com paciente durante sessão de Neuromodulação
No Mês de Conscientização sobre a Dor, fisioterapeuta Kelly Gama explica como a doença afeta o sistema nervoso e apresenta abordagens que ajudam pacientes a retomar atividades e recuperar qualidade de vida
Vista muitas vezes como apenas uma dor de cabeça forte, a enxaqueca é uma doença neurológica complexa, capaz de comprometer o sono, a concentração, a rotina e a qualidade de vida. No Mês de Conscientização sobre a Dor, celebrado em setembro, a fisioterapeuta Kelly Gama, especialista em dor e sócia-fundadora do Centro Vitta, em Natal, chama a atenção para a necessidade de compreender os mecanismos envolvidos nas crises e buscar um tratamento adequado.
A enxaqueca pode provocar dor intensa e pulsátil, náuseas, vômitos e grande sensibilidade à luz, aos sons e aos cheiros. Algumas pessoas também apresentam aura, que pode envolver alterações visuais, formigamento e dificuldade para falar. Seus efeitos podem ser percebidos antes, durante e depois da crise.
“A dor de cabeça é apenas um dos sintomas da enxaqueca. Estamos falando de uma doença que envolve mecanismos neurológicos e genéticos complexos e que, em alguns casos, pode se tornar crônica e incapacitante. Por isso, precisa de diagnóstico e tratamento adequados”, explica Kelly Gama.
Segundo a fisioterapeuta, existe uma relação direta entre o funcionamento do sistema nervoso e o surgimento das crises. A enxaqueca envolve uma excitabilidade aumentada de determinadas redes cerebrais e a ativação do sistema trigeminovascular, que participa da transmissão da dor. Durante as crises, também ocorre a liberação de substâncias que contribuem para a inflamação neurogênica e para a sensibilização das vias responsáveis pela dor.
Entre as possibilidades de tratamento está a neuromodulação não invasiva, que utiliza estímulos elétricos para modificar a atividade de estruturas do sistema nervoso relacionadas à percepção dolorosa.
“A neuromodulação pode ser utilizada na prevenção e, em determinados casos, para diminuir os sintomas durante uma crise. Os resultados mais significativos incluem a redução da frequência e da intensidade das crises, a melhora da dor, a retomada de atividades e o ganho de qualidade de vida. Em alguns pacientes, também é possível diminuir a necessidade do uso de medicamentos”, destaca.
A indicação, entretanto, deve ser individualizada e considerar o tipo de enxaqueca, a frequência das crises e o histórico clínico de cada pessoa. De acordo com Kelly Gama, o tratamento deve ser conduzido de forma integrada entre o neurologista e o fisioterapeuta especialista em dor.
Entender os gatilhos também faz parte do tratamento
Além do controle das crises, o acompanhamento busca ajudar o paciente a compreender os fatores que podem contribuir para a manutenção ou o agravamento da dor. Essa proposta está presente no Ressignificador, método criado por Kelly Gama para o tratamento da dor crônica.
O programa combina educação em dor, exercícios orientados por metas funcionais, exposição gradual ao movimento e estímulos sensoriais e cognitivos. O objetivo é reeducar o sistema de dor, promover movimentos mais seguros e conscientes e ajudar o paciente a romper o ciclo de medo, inatividade e perda de autonomia.
“No caso da enxaqueca, a pessoa também precisa aprender a manejar a condição e entender quais fatores funcionam como gatilhos para o retorno das crises. Não buscamos apenas aliviar um sintoma, mas oferecer recursos para que o paciente participe ativamente do tratamento e volte a realizar atividades que deixou de fazer por causa da dor”, afirma a especialista.
Atendimento interdisciplinar
Fundado em 2007 pelos fisioterapeutas Kelly Gama e Jorge Ivan, o Centro Vitta atua no diagnóstico, no tratamento e no manejo de dores, incluindo quadros crônicos e neuropáticos. A unidade reúne profissionais de diferentes áreas, como fisioterapia, medicina, psicologia, nutrição e educação física.
Entre os serviços oferecidos estão avaliação funcional, diagnóstico e educação em dor, planos individualizados para problemas na coluna e nas articulações dos membros superiores e inferiores, Pilates clínico e treinamento funcional clínico.
Com mais de 20 anos de experiência profissional, Kelly Gama é formada em Fisioterapia pela Universidade Potiguar e possui especializações em Dor, Recursos Cinesioterapêuticos, Terapia Manual e Osteopatia, além de formações nos métodos Maitland, Mulligan e McKenzie. Também é idealizadora do Centro Vitta Academy.
O Centro Vitta fica na Rua Leonardo Drummond, 1610, em Lagoa Nova, Natal. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (84) 3206-3327 ou pelo Instagram @centrovittanatal.


Deixe um comentário