Parnamirim (RN) – Roupas que já foram usadas, vestidos guardados após uma única ocasião e peças que deixaram de fazer parte de coleções podem encontrar novos consumidores e voltar a gerar receita. Essa foi uma das propostas apresentadas no Moda em Movimento, realizado nesta sexta-feira (9), na Agência Sebrae da Festa do Boi 2026, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. Promovido pelo Sebrae-RN em parceria com a Associação de Moda do Rio Grande do Norte (AMO.RN), o encontro reuniu empreendedoras e especialistas para discutir como o consumo consciente pode abrir oportunidades de negócios no setor da moda.
A programação abordou alternativas ao modelo tradicional de compra e descarte de roupas, como brechós, revenda e aluguel de peças. As discussões também passaram pelo comportamento do consumidor, pela relação entre moda e identidade e pelas possibilidades de transformar produtos que estavam parados em novas fontes de renda. O encontro foi conduzido pela analista técnica e gestora do setor de Moda do Sebrae-RN, Camilla Ruama, e pela presidente da AMO.RN, Narcisa Costa.
Uma das experiências foi apresentada pela empreendedora Adyha Faraj, fundadora da Reuse, negócio que atua no mercado de roupas de segunda mão. Durante a conversa sobre moda circular, ela compartilhou sua experiência com a revenda de peças e as possibilidades de prolongar sua vida útil.
Para Adyha, uma roupa pode deixar de atender às necessidades de uma pessoa e, ao mesmo tempo, encontrar valor no guarda-roupa de outra. Essa circulação permite prolongar a vida útil dos produtos e movimentar um mercado que cresce a partir do reaproveitamento.
“Quando uma mesma peça volta a gerar valor, estamos falando não apenas de sustentabilidade, mas de economia”, destacou.

As empreendedoras Mariana Coelho e Eugênia Blanco, da Me Veste, apresentaram o aluguel de roupas como alternativa de consumo consciente e geração de renda. (Foto Isaac Silva)
O aluguel de roupas foi outra alternativa apresentada durante o Moda em Movimento. As empreendedoras Mariana Coelho e Eugênia Blanco, da Me Veste, compartilharam a experiência de um negócio criado para atender pessoas que procuram roupas para ocasiões especiais, mas não desejam necessariamente comprar uma peça que poderá ser utilizada poucas vezes.
A proposta surgiu da observação de um comportamento comum entre consumidoras: vestidos adquiridos para festas e eventos que acabam permanecendo guardados, enquanto outras pessoas procuram opções para situações semelhantes.
A partir dessa demanda, as empreendedoras desenvolveram um modelo que permite disponibilizar vestidos para aluguel. As proprietárias das peças recebem uma remuneração ou créditos para utilizar o serviço quando suas roupas são alugadas, criando uma alternativa de consumo e uma possibilidade de retorno financeiro.
A Me Veste começou a desenvolver esse conceito em 2018, buscando oferecer uma experiência de aluguel alinhada às tendências de moda e às necessidades das consumidoras. O modelo também amplia as possibilidades de circulação de peças que, de outra forma, permaneceriam sem uso.
As decisões de compra e a relação emocional das pessoas com as roupas também fizeram parte das discussões. Na palestra “Por que compramos?”, a psicóloga Andrea Nunes abordou como fatores como pertencimento, identidade e percepção de valor influenciam as escolhas dos consumidores.
Segundo a psicóloga, nem toda compra acontece por uma necessidade prática.
“Muitas vezes, a escolha de uma peça está relacionada à imagem que a pessoa deseja transmitir, às experiências que associa a determinada marca ou à identificação com seus valores”, afirmou.
Para os empreendedores, compreender essas motivações pode ajudar a construir relações mais próximas com o público e desenvolver estratégias comerciais alinhadas ao comportamento dos clientes.
A consultora de imagem Juliana Oliveira também contribuiu para a discussão ao abordar o consumo consciente a partir das mudanças de rotina e estilo de vida. Durante sua apresentação, chamou atenção para a quantidade de roupas acumuladas que deixam de representar as necessidades e a identidade de quem as comprou. O encontro também contou com uma conversa com Thecia Diniz, sobre hábitos de consumo, repetição de looks e alternativas como aluguel e brechós.
Moda sustentável na passarela
Para encerrar a programação, o 1º Desfile Sustentável da Moda do RN levou à passarela peças ligadas ao reaproveitamento e à moda circular. A apresentação deu visibilidade a roupas já utilizadas ou de coleções anteriores, destacando seu potencial de comercialização.
O Moda em Movimento integrou a programação da Agência Sebrae Festa do Boi, que segue até 17 de outubro, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. Em uma área de 5 mil metros quadrados, o espaço oferece atividades gratuitas voltadas ao desenvolvimento do agronegócio, com capacitações, demonstrações, gastronomia e exposição de produtos potiguares, aproximando produtores rurais de novas oportunidades de mercado.
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