
Crédito: Foto: Roberto Galhardo/Secom
Conhecer, valorizar e transformar em experiências turísticas os saberes, as tradições e os modos de vida presentes nas comunidades de Natal é o objetivo do projeto de Turismo de Base Comunitária (TBC) iniciado nesta terça-feira (18) pela Prefeitura do Natal, com coordenação da Secretaria Municipal de Turismo (Setur). A iniciativa reúne comunidades, associações, empreendedores e iniciativas locais para identificar experiências que possam contribuir para a geração de renda e o desenvolvimento da atividade turística a partir dos próprios territórios. O investimento da Prefeitura no projeto é de R$ 45 mil.
A primeira etapa do trabalho foi o mapeamento realizado pela equipe técnica da Setur, que identificou iniciativas com potencial para integrar o projeto. A partir desse levantamento, a Prefeitura contratou a Vivejar, instituição nacional especializada em Turismo de Base Comunitária, para realizar uma visita técnica em Natal. A equipe está no município até esta quinta-feira (20), conhecendo as comunidades, identificando potencialidades e necessidades e contribuindo para a estruturação das experiências.
Na manhã desta terça-feira, representantes da Setur e da Vivejar participaram de uma reunião de sensibilização com integrantes das quatro comunidades que fazem parte desta etapa do projeto. O encontro serviu para apresentar a metodologia das visitas e conversar sobre o conceito de Turismo de Base Comunitária, mostrando como a atividade pode ser desenvolvida a partir da realidade de cada território e envolver os próprios moradores na construção das experiências.
Para o secretário municipal de Turismo, Sanclair Solon, a proposta é fazer com que o desenvolvimento da atividade turística aconteça com a participação direta de quem vive nas comunidades. “A Vivejar possui experiência na estruturação de projetos de Turismo de Base Comunitária em diferentes regiões do país e, durante as visitas, vai identificar as necessidades e potencialidades de cada local para apontar, junto aos moradores e ao poder público, os caminhos que poderão ser seguidos”, disse.
Sanclair explica que, ao final dessa etapa, a Setur receberá um relatório com os levantamentos realizados e, se necessário, projetos de captação de recursos que poderão ser apresentados a instituições e ao poder público para viabilizar as ações identificadas durante o trabalho. Para o secretário, a principal diferença do modelo está na participação da própria comunidade na oferta turística e na permanência dos recursos gerados pela atividade no território.
“O que muda com o projeto é que o dinheiro fica na comunidade. Não temos um atravessador, como uma plataforma que vende um produto turístico. Temos a comunidade vendendo o produto turístico. O protagonismo é dado para a comunidade”, afirma Sanclair.
A turismóloga e fundadora da Vivejar, Marianne Costa, explica que o trabalho começa pela escuta e pelo conhecimento das realidades locais. A partir das visitas, a equipe pretende identificar quais necessidades e potencialidades podem ser desenvolvidas e, em conjunto com a Setur, avaliar quais atividades podem ser estruturadas como experiências turísticas. “O turismo transforma os destinos e, por isso, estamos nesse diálogo com a Prefeitura para fazer esse trabalho com as comunidades de Natal”, afirma Marianne.
Entre as iniciativas que integram o projeto estão as rendeiras da Vila de Ponta Negra, a comunidade Gamboa do Jaguaribe, as colônias de pescadores e as vivências no Passo da Pátria, que incluem passeios de canoa, contemplação do pôr do sol e ações de educação ambiental. As atividades serão analisadas considerando as características, o modo de vida e a forma de atuação de cada comunidade.
No Passo da Pátria, a iniciativa se soma a um trabalho que já vinha sendo articulado por moradores e lideranças locais. Ativista social e coordenadora de projetos na comunidade, Flávia Sarmento avalia que a participação da Prefeitura pode contribuir para organizar e ampliar o potencial turístico do território, considerando também as necessidades sociais dos moradores.
“Já vínhamos articulando esse trabalho há bastante tempo e vemos agora uma oportunidade de desenvolver um segmento que tem muito potencial. Ter esse olhar empresarial e social sobre o que fazemos na comunidade pode contribuir para criar oportunidades de emprego e renda e aproximar os visitantes da realidade do Passo da Pátria”, afirma Flávia.
Na Vila de Ponta Negra, a expectativa também é de que o projeto contribua para ampliar a circulação de visitantes e valorizar o trabalho das rendeiras. Para Marta Tavares, que atua com a produção de renda na comunidade, a procura pelo artesanato diminuiu nos últimos anos, e a iniciativa pode ajudar a movimentar novamente a atividade.
“Esse projeto é muito importante. Antes, o movimento era maior e hoje observamos uma queda na procura. Nossa expectativa é que, com essa nova visão da Prefeitura, a Vila de Ponta Negra volte a ter movimento e que o nosso trabalho também volte a ser mais procurado”, afirma Marta.
Com as visitas técnicas, a Setur e a Vivejar passam agora a conhecer de perto as experiências desenvolvidas em cada território. O levantamento servirá de base para definir as possibilidades de estruturação das atividades e os próximos passos do projeto de Turismo de Base Comunitária em Natal.


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