A produção de leite no Rio Grande do Norte alcançou aproximadamente 440 milhões de litros em 2025, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho da atividade e os desafios para garantir sua sustentabilidade estiveram em pauta neste sábado (17), durante um seminário realizado na Agência Sebrae na Festa do Boi 2026, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim.
O encontro reuniu representantes do setor produtivo e do IBGE para discutir questões como gestão das propriedades, planejamento alimentar dos rebanhos, qualidade do leite e oportunidades de fortalecimento da cadeia produtiva potiguar.
Na abertura, o analista técnico do Sebrae-RN e gestor do Programa Leite e Genética, Luís Felipe, destacou a importância de tratar a produção leiteira como um negócio que exige planejamento e acompanhamento dos resultados. Entre os principais desafios enfrentados pelos produtores, ele apontou os custos elevados dos insumos e da alimentação animal, a escassez de mão de obra e os períodos de seca.
“A ideia é que a gente possa, juntos, aprimorar a gestão, porque, no final das contas, o que importa para o Sebrae é que esse produtor esteja tendo resultado, conseguindo colocar dinheiro no bolso e fazendo com que a atividade seja sustentável financeiramente”, afirmou.
A necessidade de planejamento também foi abordada pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Norte (Sindileite-RN), Túlio Veras. Ao apresentar a perspectiva da indústria, ele destacou que o crescimento da produção precisa ser acompanhado de investimentos em tecnologia, melhoria da qualidade do leite e maior organização da atividade.
Um dos pontos enfatizados foi o planejamento forrageiro, considerado essencial para que os produtores consigam atravessar os períodos de estiagem sem comprometer a alimentação dos rebanhos. Túlio também ressaltou a contribuição do melhoramento genético, da nutrição animal e da assistência técnica para o aumento da produtividade.
Outro aspecto discutido foi a valorização do leite conforme critérios de qualidade. Segundo o representante do Sindileite-RN, essa prática já vem sendo adotada por indústrias e tende a estimular melhorias nas propriedades, permitindo que os produtores sejam remunerados de acordo com os resultados alcançados.
Para Túlio, o fortalecimento da cadeia produtiva também depende da aproximação entre produtores, indústrias, universidades, instituições de pesquisa e entidades de apoio. A articulação entre esses agentes pode facilitar o acesso ao conhecimento técnico e contribuir para que as soluções desenvolvidas cheguem às propriedades rurais.
Além dos desafios relacionados à gestão e à qualidade do leite, o seminário trouxe um panorama da produção potiguar a partir dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A apresentação foi conduzida por Leonardo Medeiros, chefe das pesquisas agropecuárias do instituto no Rio Grande do Norte, que destacou o crescimento da atividade nos últimos anos.
De acordo com os resultados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), apresentados por Leonardo, a produção estadual chegou a aproximadamente 440 milhões de litros de leite em 2025. A apresentação também mostrou a distribuição da atividade entre os municípios potiguares, permitindo observar a presença da pecuária leiteira em diferentes regiões do estado.
Realizada anualmente pelo IBGE, a PPM reúne informações sobre os rebanhos e a produção pecuária dos municípios brasileiros, a partir de consultas a produtores, cooperativas, órgãos públicos e outras instituições ligadas ao setor. Esses dados ajudam a acompanhar as transformações da atividade e servem de referência para o planejamento de políticas públicas e iniciativas de desenvolvimento rural.
Leonardo também abordou o Censo Agropecuário de 2027, que deverá atualizar as informações sobre os estabelecimentos agropecuários brasileiros. Diferentemente da PPM, que acompanha anualmente a produção nos municípios, o censo permitirá conhecer de forma mais ampla as características das propriedades e as condições em que as atividades rurais são desenvolvidas.
O seminário integrou a programação da Agência Sebrae na Festa do Boi 2026, realizada no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. Ao longo do evento, o espaço recebeu atividades voltadas à capacitação, à troca de experiências e ao compartilhamento de conhecimentos técnicos, aproximando produtores rurais, especialistas e representantes de instituições ligadas ao agronegócio.




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