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Postado às 21h09 • Destaque • Turismo • Nenhum comentário

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Por Eliade Pimentel

Com o coração cheio de gratidão e muitas histórias para contar, jornalistas e comunicadores de turismo de diferentes regiões do Brasil encerraram, no último dia 19, uma experiência que ampliou horizontes e aproximou dois países unidos pela geografia, pela cultura e pela hospitalidade: o I Encontro Internacional Febtur de Jornalistas e Comunicadores de Turismo Febtur, promovido pela Associação Turística de Canelones (ATC) e a Federação Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Turismo, realizado entre os dias 15 e 19 de setembro, no Uruguai.

A programação, que teve como eixo o tema “Canelones se muestra a Brasil”, reuniu cerca de 40 participantes, representantes de diferentes estados brasileiros, em uma agenda que passou por Montevidéu e pelo departamento de Canelones, revelando desde atrativos turísticos já consolidados até experiências rurais, gastronômicas, culturais e enológicas ainda pouco conhecidas pelo público brasileiro (e até mesmo uruguaio). Mais do que conhecer destinos, a proposta colocou jornalistas e comunicadores em contato direto com pessoas empreendedoras, produtoras, artistas e comunidades que ajudam a construir a identidade turística uruguaia.

Localizado junto à capital Montevidéu, Canelones é um território de características diversas. O departamento reúne áreas metropolitanas, zonas rurais, vinícolas, patrimônio histórico e a chamada Costa de Oro, formada por balneários às margens do Rio da Prata. A oferta turística inclui propostas como o Espaço Gastronômico Parque del Plata, ambiente que foi o cenário das boas-vindas ao grupo, na terça-feira (15), além de destinos que se destacam por turismo rural e de natureza, à exemplo da Quinta Capurro (foto), enoturismo, patrimônio, gastronomia, natureza e eventos.

A própria estrutura econômica do departamento ajuda a explicar essa diversidade. Canelones é reconhecido como o principal produtor de alimentos do país e reúne uma forte produção agropecuária, além de vinícolas que combinam tradição familiar e tecnologia. O vinho da uva Tannat, variedade emblemática do Uruguai, também ocupa lugar de destaque nessa identidade produtiva.

Foi esse universo múltiplo que os participantes puderam experimentar durante o encontro. A programação começou com experiências em Montevidéu, incluindo visitas a espaços simbólicos da capital, como o Estádio Centenário e o Mercado del Puerto, onde os participantes também tiveram contato com manifestações da cultura uruguaia, entre elas o candombe.

Em Canelones, a programação ganhou diferentes paisagens e sabores. A jornada técnica realizada no Espaço Dínamo, em Atlântida, aproximou os comunicadores brasileiros de empreendimentos e iniciativas turísticas do departamento, com destaque para propostas ligadas ao enoturismo, à gastronomia e ao turismo de experiências.

A região da Costa de Oro também revelou ao grupo outro dos seus cartões-postais: praias, balneários e comunidades que integram uma faixa litorânea de cerca de 65 quilômetros às margens do Rio da Prata.

Ruralidade

Mas, foi exatamente ao sair dos roteiros mais conhecidos que o encontro revelou uma de suas experiências mais marcantes. A ruralidade contada por quem a vive. A visita a comunidades e empreendimentos rurais aproximou jornalistas e comunicadores de famílias e grupos que preservam práticas, receitas e costumes transmitidos entre gerações. Entre essas experiências, o grupo visitou a Escola Rural, em San Jacinto, onde foram recebidos pelo diretor de patrimônio do governo de Canelones e coordenador da Fiesta y Museo de la Chacra, Federico Romanelli, e pelas mulheres da Asociación de Mujeres Rurales del Uruguay (AMRU).

Segundo ele, os espaços apresentados aos visitantes não são cenários montados para receber turistas, mas ambientes que fazem parte da história das próprias mulheres. “São casas reais. Essas mulheres, desde pequenas, viveram em ranchos assim. A cozinha era dessa maneira e o que vocês estão provando são receitas e comidas que aprenderam com suas avós e seus avôs”, explicou o guia do grupo, em entrevista ao jornalista Paulo Atzingen, que ficou profundamente tocado ao conhecer a história que anualmente é recriada na tradicional Festa da Chacra, realizada no município nos dias 30 e 31 de outubro e 1° de novembro. “A experiência mostrou aos comunicadores que o turismo pode ser também uma ferramenta de preservação de memória, saberes e modos de vida, destacou o “repórter viajante”, fundador do portal Diário do Turismo.

O encerramento do tour, e seguramente a experiência mais marcante, foi a visita à Bodega Familia Deicas, onde o grupo foi recebido por Maria Eugenia Cunha, presidente da Associação Turismo Enológico do Uruguai. Além da experiência com os vinhos, o encontro abriu espaço para conversar sobre novas possibilidades de integração turística entre os dois países. “Temos que explorar ainda mais nossa conectividade aérea, proximidade e cultura que nos une”, destacou Maria Eugenia, ao agradecer a presença dos brasileiros.

Para ela, a experiência deve ser o primeiro de muitos encontros capazes de fortalecer o vínculo de cooperação entre Brasil e Uruguai. A provocação também ficou registrada: além do enoturismo, o Uruguai apresenta outras experiências ligadas à natureza e à produção local, como o chamado fungiturismo (ou micoturismo, que está relacionado a cogumelos), ampliando o leque de possibilidades para quem busca experiências diferenciadas.

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“Canelones não vai sair de nós”

Ao fazer o balanço da experiência, o presidente da Febtur, Gorgônio Loureiro, destacou o sentimento de integração construído ao longo dos dias. “Tenham certeza que estamos saindo de Canelones, mas Canelones não vai sair de nós”, afirmou, ao agradecer aos organizadores e participantes. Para Loureiro, a experiência criou um laço que ultrapassa a realização do encontro. “Canelones e Febtur criaram um laço muito forte de amizade para um futuro mais forte”, declarou, defendendo a construção de novas pontes de amizade e trabalho entre os dois países.

A mesma percepção foi compartilhada por Carlos Tábo, presidente da Associação Turística de Canelones (ATC), entidade que promoveu o encontro. Segundo Tábo, foram dias intensos, de troca e aprendizado, tanto no aspecto pessoal quanto turístico. Ele ressaltou ainda o trabalho conjunto realizado entre a ATC e a Febtur para preparar a recepção aos jornalistas brasileiros.

“Foi um verdadeiro prazer compartilhar esses dias com vocês, conhecer cada um e viver juntos todas essas experiências”, afirmou. Para o presidente da ATC, a expectativa é que a aproximação continue, com novos encontros entre a Febtur e a Associação Turística de Canelones, tanto no Uruguai quanto no Brasil.

Para os participantes brasileiros, a experiência também deixou marcas que vão além das paisagens visitadas. O jornalista paraense Pedro Medina resumiu o sentimento em uma frase: “Uruguai, terra de cores, sabores e amizades”. Em sua avaliação, o país reúne cultura, gastronomia, paisagens, hospitalidade, vinhos, praias e patrimônio, elementos que formam uma identidade turística própria e que agora poderão ser apresentados aos leitores, ouvintes, espectadores e seguidores dos comunicadores brasileiros.

Já Marcos Jacob, presidente da Febtur Tocantins, destacou que a experiência permitiu conhecer mais profundamente a cultura e o turismo uruguaios, mas, sobretudo, criar vínculos. “Voltamos ao Brasil levando boas lembranças, novos amigos e, principalmente, a certeza de que encontros como esse aproximam pessoas, criam oportunidades e abrem caminhos para futuras parcerias entre Brasil e Uruguai”, afirmou.

A empreendedora e chefe de cozinha Rosa de Fogo, também do Tocantins, retornou para casa levando o convite para que os novos amigos conheçam Peixe, seu município, reforçando uma das características mais interessantes do encontro: enquanto o Uruguai se apresentou aos brasileiros, os brasileiros também passaram a apresentar seus próprios destinos uns aos outros. “Estamos retornando para o nosso Tocantins com o coração cheio de gratidão por essa vivência e experiência que pudemos partilhar juntos com vocês, obrigado a cada pessoa que nos proporcionou esses dias inesquecíveis”, destacou.

Ao longo de cinco dias, o encontro mostrou que comunicar turismo é também criar pontes entre destinos e profissionais, entre culturas e histórias, entre quem recebe e quem chega. E especialmente, entre experiências consolidadas e novos caminhos. Para os participantes, Montevidéu e Canelones deixaram de ser apenas nomes no mapa. Passaram a representar pessoas, sabores, vinhedos, praias, tradições, música, gastronomia, ruralidade e, principalmente, amizades construídas durante uma jornada compartilhada.

O sentimento foi sintetizado por Carlos Tábo na despedida: que aqueles dias sejam apenas o começo de muitos outros encontros entre a Febtur e a ATC. E, como disse Gorgônio Loureiro, talvez seja esse o maior legado da experiência, sair de Canelones sem deixar Canelones para trás.

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